

O webinar “Gestão de Projetos: Do Fazer ao Liderar Resultados”, promovido pela FIA Business School – Gestão de Projetos, trouxe uma discussão profunda e atual sobre o papel do gestor de projetos na nova economia, marcada por mudanças rápidas, tecnologias emergentes e pressão crescente por entregas de valor.
Um dos pontos mais marcantes do webinar foi a explicação de Armando sobre a mudança na definição de sucesso em projetos. No passado, entregar escopo, prazo e custo era suficiente. Hoje, segundo ele, isso não garante mais nada. “Você pode entregar algo dentro do combinado e, ainda assim, entregar uma porcaria”, disse com humor, destacando que, no dia seguinte à entrega, o cliente pode olhar para o resultado e perceber que nada ali gerou valor real.
O professor apresentou dados do PMI — Project Management Institute — reforçando que o desempenho de projetos passou a ser medido principalmente pela sua contribuição estratégica. Valor, nesse contexto, não é apenas financeiro; pode envolver impacto social, qualidade de vida, eficiência interna ou sustentabilidade.
Armando explicou detalhadamente o Triângulo de Talentos do PMI, que combina três dimensões essenciais:
Incluem elaboração de cronogramas, análise de riscos, definição de escopo, gestão de stakeholders e outras ferramentas fundamentais. Mas ele alertou: “Não adianta dominar 40 processos se você não souber qual aplicar. Tailoring é fundamental”.
Envolvem comunicação, liderança, negociação, empatia, gestão de conflitos e colaboração. Armando foi enfático: “Não se aprende soft skills em PowerPoint. Você só aprende praticando”.
Segundo o professor, essa é a área mais negligenciada, mas a mais crítica no cenário atual. Ele apresentou dados mostrando que apenas 18% dos profissionais se consideram fortes nessa dimensão. “Entender o segmento, o modelo de negócio, a estratégia da empresa — tudo isso faz diferença. Isso aumenta as chances de sucesso e reduz falhas”, explicou.
Um dos momentos mais esperados foi a explicação sobre a oitava edição do Guia PMBOK. Armando esclareceu que, ao contrário do que muitos pensam, o guia não é mais um manual exclusivamente voltado para projetos waterfall. “Acabou essa história de que o PMBOK é só preditivo”, afirmou. A versão atual é aplicável a qualquer abordagem — ágil, adaptativa ou híbrida.
Além disso, o guia ficou mais enxuto: passou de cerca de 800 páginas para menos de 400. Os princípios foram reduzidos de 12 para 6, e os processos de 49 para 40. Também houve integração de temas como inteligência artificial, valor e governança.
Armando apresentou o modelo de domínios de desempenho, que reorganiza o conteúdo de forma mais intuitiva e conectada ao valor estratégico. Isso ajuda os profissionais a entenderem melhor o propósito das ferramentas — e não apenas a executarem rotinas mecânicas.
Outro ponto forte do webinar foi a discussão sobre desenvolvimento profissional. Para Armando, a carreira em gestão de projetos exige formação ininterrupta. Ele contou um diálogo com seu filho, que acreditava estar “quase terminando” os estudos ao concluir o ensino médio. “Eu disse pra ele: está só começando”, relatou. MBA, certificações, especializações e prática constante fazem parte do caminho.
O professor explicou a regra 70-20-10:
– 70% vem de prática real
– 20% vem de mentoria e relacionamento
– 10% vem de estudo formal
Isso não desvaloriza cursos, pelo contrário: os cursos aceleram a prática e o networking, especialmente os MBAs, que promovem vivência real entre profissionais.
Armando compartilhou sua própria experiência com certificações. Ele contou que tirar o PMP mudou sua vida profissional. “Foi um divisor de águas. Eu passei a dar aulas, participar de projetos públicos e privados que exigiam a certificação”, revelou.
Mas ele também enfatizou: certificação não garante prática. Ela atesta conhecimento, não vivência — por isso é tão importante combinar formação teórica com prática estruturada.
Ele mencionou outras certificações relevantes, como PRINCE2, PMO-CP e certificações ágeis.
O professor apresentou um plano direto e aplicável:
Autoavaliação
Escolher uma competência técnica, uma comportamental e uma de negócio para trabalhar em um trimestre.
Backlog de desenvolvimento pessoal
Criar metas claras e indicadores de progresso.
Ritual semanal
– 2 horas aprendendo
– 1 hora aplicando
– 30 minutos refletindo e registrando
Evidências de evolução
Feedback, artefatos e lições aprendidas.
Projeto real
Escolher um projeto pessoal ou profissional para aplicar tudo.