

O webinar “Projetos em um mundo incerto: como gerir riscos e construir projetos resilientes” destacou que a falha de projetos não acontece apenas por problemas técnicos, mas principalmente porque o contexto muda mais rápido do que a capacidade de adaptação das equipes. A palestrante Luía Metzer compartilhou uma experiência real com a falha de um projeto bilionário para mostrar que planejamento, equipe qualificada e conhecimento técnico não bastam quando o ambiente externo se transforma.
Ao longo da apresentação, Luía defendeu que risco deve ser visto como parte natural do projeto e não como algo excepcional. Como ela afirmou, “projetos não falham apenas por erros internos” e “risco é a incerteza que pode gerar impacto no projeto”. A partir disso, ela apresentou conceitos e ferramentas essenciais para uma gestão mais madura: o mundo VUCA, os tipos de risco, a matriz de Stacey, a matriz de probabilidade e impacto, o FMEA, as reservas de contingência e gerencial, além da importância da cultura organizacional, do apetite ao risco e da segurança psicológica.
A principal mensagem do webinar foi que projetos resilientes não são aqueles que eliminam todos os riscos, mas os que conseguem perceber, priorizar e responder melhor às incertezas, mantendo capacidade de adaptação ao longo do tempo.

Luisa abriu a palestra com uma experiência marcante: a queda de um projeto bilionário que não fracassou por falta de competência técnica, mas porque o contexto mudou de forma acelerada. Essa história foi o ponto de partida para a reflexão central do webinar: planejamento é importante, mas não basta quando o cenário externo se transforma com velocidade.

Um dos pontos mais fortes da palestra foi a redefinição do conceito de risco. Luía explicou que risco é incerteza com potencial de impacto positivo ou negativo, e criticou a tendência de enxergá-lo apenas pelo lado negativo. Na prática, isso faz com que muitas organizações deixem de observar oportunidades relevantes.
Pedro enfatizou que vieses cognitivos — como viés de otimismo e viés de disponibilidade — distorcem o julgamento dos líderes, criando ambientes onde sinais de alerta são ignorados.

Luisa mostrou que gerir riscos não é só aplicar ferramentas, mas criar um ambiente onde as pessoas possam falar abertamente sobre sinais de alerta, problemas e oportunidades. Para ela, a cultura organizacional e a segurança psicológica são decisivas para que os riscos sejam percebidos antes que se tornem crises.
O webinar promovido pela FIA Business School trouxe uma discussão extremamente atual para quem trabalha com gestão de projetos: como construir projetos resilientes em um cenário de mudanças constantes, pressão por resultado e alta imprevisibilidade. A palestra de Luisa Metzer foi construída com base em experiência prática, reflexão conceitual e exemplos concretos, o que deu força à mensagem central: o maior risco de um projeto não é errar, mas não conseguir se adaptar.
Outro eixo importante da fala foi o conceito de mundo VUCA — volátil, incerto, complexo e ambíguo. Luisa explicou que isso não é apenas teoria: faz parte da rotina de quem gerencia projetos. Cadeias de suprimento mudam, novas tecnologias surgem o tempo todo, questões econômicas e geopolíticas afetam cronogramas e decisões, e as organizações operam em sistemas cada vez mais interdependentes.
Nesse ponto, ela lembrou que projetos não acontecem em ambiente controlado. Como disse, “projetos não acontecem no laboratório”. Eles são conduzidos por pessoas, dentro de estruturas complexas, com múltiplas variáveis em movimento. Por isso, a gestão de projetos precisa abandonar a ilusão de controle total e adotar uma postura de adaptação contínua.
Essa visão se conecta diretamente à ideia de resiliência. Em vez de tentar eliminar a incerteza — algo impossível —, o gestor precisa aprender a navegar por ela. A metáfora que Luisa usa ao longo da palestra, comparando projetos a mares calmos ou tempestades, ajuda a entender que diferentes níveis de incerteza exigem diferentes abordagens.
Um dos momentos mais didáticos do webinar foi quando Luisa redefiniu o conceito de risco. Para ela, risco é “a incerteza que pode gerar impacto no projeto”. E esse impacto não é necessariamente negativo. Ele pode abrir oportunidades, acelerar soluções, criar aprendizados e fortalecer a organização.
A importância dessa definição é enorme porque, na prática, a maior parte das equipes encara risco como sinônimo de problema. Isso faz com que a gestão de riscos seja tratada apenas como uma área defensiva, focada em evitar perdas. Luisa mostrou que essa visão é limitada. Quando a organização só olha para a ameaça, ela ignora possibilidades valiosas.
Ela até trouxe um exemplo do cotidiano corporativo: em uma empresa onde trabalhou, havia uma aba de riscos e outra de oportunidades no template de gestão. Mas, na prática, a aba de oportunidades quase nunca era preenchida. Isso evidencia como a cultura da empresa molda a forma de pensar o risco. E a mensagem é clara: risco precisa ser visto de forma mais ampla.
Outro conceito importante do webinar foi a classificação dos riscos em quatro tipos: conhecidos conhecidos, conhecidos desconhecidos, desconhecidos conhecidos e desconhecidos desconhecidos. Essa divisão ajuda a entender que nem todos os riscos são igualmente visíveis.
Os mais perigosos, segundo Luisa, são os desconhecidos desconhecidos — aqueles que ninguém percebe até que seja tarde demais. Mas ela também chamou atenção para os desconhecidos conhecidos, que são os riscos que alguém dentro da organização já percebeu, mas não comunicou. Esse ponto mostra como a comunicação pode ser tão relevante quanto a análise técnica.
Em suas palavras: “Se a pessoa não fala ou comunica esse risco, se perde a oportunidade de gerenciar.” Essa frase é central porque traduz um problema muito comum em organizações: o risco existe, mas permanece invisível por falta de abertura, medo de julgamento ou ausência de segurança psicológica.
Apesar de o webinar ter forte componente conceitual, ele também foi bastante prático. Luisa explicou o ciclo de gestão de riscos como um processo contínuo que envolve planejar, identificar, analisar, responder e monitorar. Ela deixou claro que a gestão de riscos não é uma etapa isolada, mas um fluxo recorrente.
Na etapa de análise, ela defendeu o uso da matriz de probabilidade e impacto como forma de priorizar. A lógica é simples: não é possível tratar todos os riscos com o mesmo nível de atenção. É preciso decidir o que realmente exige ação imediata.
Além disso, Luisa apresentou o FMEA como uma ferramenta mais profunda, capaz de analisar efeito, falha e causa. Esse enfoque ajuda a não tratar apenas o sintoma, mas a buscar a origem do problema. Foi uma das partes mais aplicáveis da palestra, especialmente para quem trabalha com ambientes industriais, desenvolvimento de produtos e projetos complexos.
Outro aspecto muito relevante foi a discussão sobre cultura. Luisa afirmou que gestão de riscos não depende apenas de método. Como ela disse, “gestão de riscos não é sobre só método”. Ela depende da forma como a organização enxerga os riscos, o quanto aceita assumir, quais limites estabelece e como transforma percepções da equipe em decisão.
Ela apresentou os conceitos de apetite ao risco e tolerância ao risco, mostrando que cada organização tem um nível diferente de abertura para assumir incertezas. Isso impacta diretamente a forma como o gestor pode agir. Mais do que isso, ela enfatizou que projetos são feitos por pessoas e que, por isso, o tema da segurança psicológica é decisivo.
Quando a equipe não se sente segura para falar, os riscos aparecem tarde. Quando há ambiente aberto, os sinais são percebidos antes. Essa é uma das ideias mais fortes da palestra: projetos falham não apenas por ausência de informação, mas por ausência de espaço para comunicar essa informação.
A mensagem final do webinar é muito consistente: projetos resilientes não são aqueles que nunca enfrentam problemas, mas os que conseguem responder melhor às mudanças. Luisa foi enfática ao afirmar que “projetos resilientes possuem literalmente um interior sólido e conseguem se adaptar a essa ideia de um mundo cheio de incertezas”.
Isso significa que planejamento continua sendo indispensável, mas precisa estar alinhado ao ciclo de vida do projeto e ao grau de incerteza do contexto. Em projetos mais previsíveis, a estrutura tende a ser diferente de projetos inovadores ou altamente incertos. Não existe uma única resposta para todos os cenários.
O que existe é a necessidade de maturidade. Maturidade para identificar riscos, conversar sobre eles, priorizar, documentar, responder e revisar. Maturidade para entender que, em um ambiente incerto, a adaptabilidade vale tanto quanto o planejamento inicial.