Matriz de responsabilidades RACI: como definir limites e alternativas para decidir melhor

images
Matriz de responsabilidades RACI: como definir limites e alternativas para decidir melhor

Última atualização em 19/12/2025 por Especialista em Gestão de Projetos, GPRO

Gerenciar projetos não é só sobre prazos e entregas: é também sobre manter todo mundo na mesma página. Quando as responsabilidades não estão claras, surgem atrasos, retrabalho e muita confusão. É justamente aí que a Matriz RACI entra em cena.

Simples e visual, a RACI ajuda a mostrar quem faz, quem aprova, quem apoia e quem precisa ser informado em cada etapa. Com isso, a comunicação flui melhor, as decisões ficam mais rápidas e a equipe trabalha de forma organizada e sem sobreposição de tarefas.

Neste artigo, vamos explorar a importância da matriz, seus benefícios, formas de aplicação e alternativas, destacando como ela pode ser decisiva para o êxito de projetos em diferentes contextos organizacionais.

 

A Importância da Matriz RACI na Gestão de Projetos

A comunicação é um componente essencial na gestão de projetos, programas ou portfólios, presente em todas as etapas.

Para um projeto seja bem-sucedido, ele precisa de um bom planejamento estratégico, expectativas atendidas, uma comunicação fluida e aprendizado constante.

O PMI aponta que um gestor de projetos não pode falhar no alinhamento com os stakeholder e nem com a equipe. Nesse contexto, a Matriz RACI se consolida como um artefato importante para que gestores comuniquem de maneira estratégica e objetiva.

Ela é um artefato visual em forma de tabela que mostra a atribuição dos membros sobre as tarefas, quem executa, quem aprova, quem apoia tecnicamente e quem deve ser informado. A Matriz RACI deixa claro para a equipe, outros departamentos e stakeholders quem deve fazer o quê em cada atividade.

Seus benefícios

Ao definir quem é responsável por o quê, a RACI promove organização e evita ambiguidades durante o ciclo de vida do projeto.

Um dos principais benefícios é a clareza de funções, já que muitas vezes, em projetos longos ou complexos, pode haver confusão sobre quem toma decisões ou quem define agendas. Ela também possibilita acelerar as aprovações e prevenir falhas decorrentes de lacunas de comunicação.

Outro ponto a ser destacado é a eliminação de esforços duplicados. Quando todos sabem exatamente suas atribuições, evita-se que diferentes pessoas trabalhem inadvertidamente na mesma tarefa. Projetos com múltiplos departamentos ou organizações, é comum os papéis se sobreporem.

Além disso, a matriz contribui para prevenir atrasos, já que estabelece expectativas desde o início e garante que a responsabilidade esteja visível para todos.

Por fim, a RACI fortalece a comunicação, ao indicar de forma explícita quem deve ser consultado e quem apenas informado em cada etapa. O conhecimento do fluxo de informação aumenta as chances de sucesso do projeto, já que equipes bem alinhadas tendem a alcançar seus objetivos com maior consistência.

 

Denominações e Origem

Embora seja amplamente conhecida como Matriz RACI, a ferramenta também aparece em literatura especializada sob outros nomes, como Matriz de Responsabilidades, Responsibility Assignment Matrix (RAM) ou Linear Responsibility Chart (LRC).

Quanto à sua origem, não há consenso absoluto. Estudos indicam que o modelo foi desenvolvido no contexto do Toyotismo e da disseminação do Lean nas décadas de 1970 e 1980, período marcado pela busca por métodos mais enxutos e eficazes de gestão organizacional.

 

Como criar uma Matriz RACI

O acrônimo RACI corresponde a quatro papéis desempenhados dentro do projeto:

  • R – Responsible (Responsável): É o profissional incumbido da execução direta da tarefa, aplicando conhecimentos técnicos e conduzindo a maior parte das atividades. Após atender a demanda, ele deve encaminhar os resultados para aprovação da accountable (A).
  • A – Accountable (Autoridade): É a figura que valida e aprova os resultados, geralmente, ocupando posição de liderança, como gerente ou diretor. Caso seja necessário realizar ajustes, o responsável retoma a atividade antes de prosseguir com o projeto.
  • C – Consulted (Consultado): É o especialista que fornece suporte técnico e informações relevantes para garantir a qualidade da entrega. Pode ser um colaborador da organização ou um consultor externo.
  • I – Informed (Informado): É o grupo de stakeholders que deve ser atualizado sobre o andamento do projeto, mesmo sem participação ativa na execução. Geralmente, quem informa sobre as entregas e resultados é o gerente do projeto.

 

Essa divisão de funções estabelece um fluxo lógico: o responsável realiza, o consultado apoia, a autoridade aprova e os informados acompanham. O resultado é um processo mais estruturado, com menor risco de sobreposição de tarefas ou lacunas de responsabilidade.

A matriz RACI não tem um modelo que precisa ser adotado, a tabela deve ser construída conforme melhor atende as necessidades do projeto. Comumente, a tabele é construída da seguinte forma:

  • Linhas: descrição das atividades do projeto.
  • Colunas: nome dos responsáveis (ou cargos).
  • Célula de Intersecção: marcação R/A/C/I, conforme atribuição do responsável.

 

Ferramentas

A matriz RACI pode ser elaborada em uma planilha de Excel. Porém, há plataformas de gerenciamento de projetos que permitem a integração desse artefato de comunicação, vamos explorar alguns…

  • Asana: No quadro do projeto, é possível atribuir funções como Responsável e Autoridade. Ao integrar a matriz RACI, as atribuições ficam visíveis à toda equipe.
  • Jira: Os papéis da matriz RACI podem ser vinculados diretamente aos tickets de projeto. Como a plataforma é especialista no rastreamento de problemas, cada processo de decisão e aprovação já está bem definido.
  • Trello: Ele utiliza etiquetas e categorias para representar os diferentes papéis da matriz RACI. Com seu formato simples e visual baseado em cartões, a ferramenta possibilita que gestores atribuam e acompanhem as tarefas visualmente. Essa ferramenta é especialmente útil para equipes menores.

Matriz de responsabilidades RACI usada na gestão de projetos para definir papéis e responsabilidades da equipe

Erros que devem ser evitados

Os erros mais comuns na criação de uma matriz RACI estão relacionados à falta de planejamento, ao tamanho da equipe, à comunicação insuficiente e ao excesso de responsabilidades.

Falta de Planejamento

Antes de elaborar a matriz RACI, é preciso planejamento. É preciso ter claro o escopo do projeto e as principais tarefas que deverão ser executadas, além do conhecimento das pessoas que integrarão a equipe. Sem uma estrutura básica definida, a matriz pode se tornar caótica e difícil de gerenciar.

Tamanho da Equipe

Em projetos complexos, formado por uma equipe muito grande ou com muitas partes interessadas, o acompanhamento das responsabilidades pode se tornar difícil e levar à confusão. Para esses casos, é recomentado fracionar o projeto em componentes ou usar artefatos alternativos.

Comunicação Insuficiente

Vale a pena lembrar que a função da RACI é formalizar as responsabilidades. Todos os membros da equipe devem ser informados dos seus papéis e dos objetivos de o projeto antes da matriz ser criada.

O melhor momento para fazer isso é na reunião inicial, garantindo que todos estejam alinhados e preparados, evitando mal-entendidos.

À medida que o projeto avança, é recomendado que a matriz RACI seja periodicamente revista com a equipe para garantir que todos estejam familiarizados com ela e que cada membro da equipe entenda sua atribuição.

Excesso de Responsabilidade

Nenhum integrante da equipe deve acumular responsabilidades em excesso, pois isso pode causar sobrecarga e incapacidade de desempenho. Procure distribuir a carga de trabalho de maneira equilibrada e que nenhum indivíduo esteja assumindo responsabilidades excessivas.

Modelos Alternativos

A matriz RACI (Responsável, Autoridade, Consultado, Informado) é amplamente utilizada, mas, dependendo das necessidades do projeto, outros modelos podem ser mais adequados. Alternativas mais comuns são:

DACI

O framework DACI é um modelo com foco na tomada de decisão, nele devem ser identificados os tomadores de decisão e os responsáveis pelos resultados.

A sigla corresponde a quatro funções:

  • Driver: responsável por reunir informações, organizar os stakeholders e garantir que a decisão seja tomada no prazo;
  • Approver: a pessoa com poder de decisão final, papel em ativo e central;
  • Contributors: especialistas que oferecem recomendações e análises, sem direito a voto;
  • Informed: aqueles que precisam ser informados sobre a decisão, pois terá seu trabalho impactado, não participam da decisão.

 

Esse modelo é especialmente útil em situações que envolvem decisões complexas com múltiplos departamentos, decisões de alto impacto organizacional, projetos interfuncionais, alocação de recursos e melhorias de processos.

RAPID

Esse modelo é indicado para projetos que envolvem múltiplos stakeholders e lida com decisões de alto impacto ou alta frequência, como estratégias de lançamento de produtos, alocação de recursos ou melhorias de processos. Os cinco papéis fundamentais são:

  • R – Recommend: quem conduz o processo, reúne informações e apresenta uma recomendação ao decisor.
  • A – Agree: quem valida se a recomendação atende requisitos obrigatórios, como aspectos legais ou regulatórios.
  • P – Perform: responsáveis por implementar a decisão, garantindo sua execução no prazo e contexto definidos.
  • I – Input: especialistas ou pessoas impactadas que oferecem informações, experiências e visibilidade sobre riscos e implicações.
  • D – Decide: quem toma a decisão final e compromete a organização à ação, assumindo a responsabilidade pelo resultado.

 

Outros modelos tradicionais também servem como alternativa à matriz RACI. O Gráfico de Gantt combina responsabilidades com cronogramas em um formato visual. E, a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) oferece uma visão detalhada das tarefas em uma estrutura hierárquica.

Abordagem Híbrida: matriz RACI suportando a comunicação

O gerente de projetos deve ser capaz de adequar a abordagem, a governança e os processos do gerenciamento de projetos para ajustar melhor à organização, ao ambiente operacional e às necessidades de projeto. Esse processo é denominado de tailoring.

Conhecer os diferentes artefatos visuais de gestão de projetos validados pelo Project Management Institute (PMI) é importante para fazer a melhor combinação. Eles podem ser organizados de acordo com sua aplicação prática, o que facilita a compreensão de como cada um contribui para o planejamento, execução e monitoramento das atividades:

Análise de Problemas e Processos:

  • Diagrama de causa e efeito (Ishikawa).
  • Diagrama de dispersão.

Monitoramento de Progresso e Desempenho:

  • Gráfico de burndown/burnup
  • Diagrama de fluxo cumulativo (DFC)
  • Gráfico de tempo de ciclo
  • Gráfico de tempo de entrega
  • Painel de controle (dashboard)
  • Curva S

Planejamento e Cronograma

  • Gráfico de Gantt
  • Diagrama de rede do cronograma do projeto

Priorização e Gestão de Requisitos:

  • Matriz de priorização
  • Matriz de rastreabilidade dos requisitos

Gestão de Stakeholders e Comunicação

  • Matriz RACI (ou matriz de responsabilidades)
  • Irradiador de informações

 

Como podemos ver, a matriz RACI é um importante artefato que suporta a comunicação e a gestão de stakeholders. Esse artefato melhora a organização e evita ambiguidades e lacunas na comunicação.

Os melhores gestores de projeto escolhem as melhoras ferramentas!